FMI e soluções para o país

Os temas quentes da actualidade centram-se quase todos em torno do FMI e da sua entrada em Portugal, correndo em nosso auxílio. Auxílio o tanas, que eles vão ganhar uma batelada de dinheiro à nossa pala e nós vamos arranjar uma dívida de bradar aos céus no próximo par de décadas.

Pois parece que a solução escolhida pelo nosso Governo (ou o que resta dele, ou o que se assemelha a ele, ou o que anda de roda dele e com ele se vai intercalando a “liderar-nos”) passa por fazer as mesmas asneiras que o “povinho” português tem vindo a fazer: gastar o que tem e o que não tem e ir pedir dinheiro aos outros para o fazer.

Sim, estamos no estado em que estamos por causa da nossa classe política (que tem tanto de classe como de política), mas também por nossa culpa. E, se, por um lado, é justo pedirem-nos que apertemos o cinto, por outro é imperativo que deixem de gozar connosco e com o nosso dinheiro que custa a ganhar, estoirando-o infantilmente e metendo o que sobra ao bolso. Ou nos bolsos dos familiares e amigos. Querem levar este país para a frente, ou pelo menos impedi-lo de cair do penhasco abaixo? Fácil: sigam os conselhos que nos dão, caros políticos. Larguem as viagens em executiva e os carros de luxo com “chauffeur”, deixem os amiguinhos arranjar emprego à moda antiga (vocês sabem, sem cunha e tal), extingam tudo o que é empresa/instituição/fundação e outras tretas que apenas cumprem o propósito de garantir ordenados – muitas vezes ridiculamente elevados – aos “boys” e aos familiares. Deixem lá os TGV’s e aeroportos megalómanos para países que precisem deles.

Se nós passamos a pagar SCUT’s, IVA elevado, impostos em regime de dupla tributação nos automóveis, combustíveis que, pelo preço, bem podiam ser crude no estado bruto e outros exageros que tais, vocês também podem contribuir para aliviar os encargos que temos enquanto país.

Na verdade intriga-me como é que nós, pagando cada vez mais por essencialmente tudo, continuamos a abrir um buraco financeiro cada vez maior. Se nós damos cada vez mais dinheiro ao Estado, como é que cada vez o Estado tem menos dinheiro? E a resposta materializa-se de imediato, certo? É simples: cada vez gastam mais. E fazem-no sem que, na sua maioria, esse dinheiro (ou contribuição, como alguns lhe chamam) nos sirva a nós, o povo, de alguma forma. E, enquanto povo, exijo que o meu dinheiro seja bem empregue. Nós, o povo, não colocamos dinheiro nas vossas mãos para o esbanjarem sobremaneira. Nós, enquanto povo, esperamos que vocês usem esse dinheiro e dele façam uma boa gestão com o propósito de tornar o país e o seu povo prósperos. Nós não andamos aqui a trabalhar para enriquecer políticos que não querem saber de nós. E, se nós tivessemos alguma réstea de vontade e de orgulho, metíamo-vos a todos no olho da rua. Porque chega. Secaram o país de tanto mamar nele e acredito que ainda vão dar mau uso ao dinheiro do FMI. E as gerações futuras ficam a pagar. Ou muito me engano ou, a continuar assim, qualquer dia vão ter medo de andar na rua. Se calhar mais vale começarem já a fazer alguma coisa de jeito para o bem de todos.

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