Distância de segurança

Como se já não fossem suficientes as comparações entre mulheres e carros (algumas consideradas até elogios… pelo menos por nós, gajos), eis que me surge tarde e a más horas mais uma, ainda que desprovida de nexo.

Durante a vida de um homem, e desde aquela fase pubescente onde parece que todo o mundo nos quer mal apenas porque uma miúda não quis nada connosco, alguns são confrontados com uma situação recorrente que irei tentar descrever com minúcia e arguto discurso. Para aqueles que não viveram isso na pele, lembrem-se de algum amigo vosso que terá, em certa altura, apresentado esses mesmos sintomas.

Então a coisa flui assim: um tipo considerado porreiro pelos amigos, um gajo decente que ‘tá lá para a rambóia, mas também ouve e aconselha, ajudando como pode, tenta a sua sorte com as mulheres, como todos. Desencantem-se aquelas que acham que os “totós” de óculos tipo fundo de copo três ou os “pés de gesso” são tipos que se dedicam aos estudos, aos livros, à ciência ou aos computadores. Até esses têm aquela necessidade primordial de experimentar os ritos de acasalamento. Ou pelo menos a parte que os antecede. Sim, até eles sentem a indelével e inevitável atracção pelo sexo feminino. Portanto, até o tipo mais “querido” e de ar mais inofensivo, por muito bom amigo que seja – e normalmente é – sente necessidade de lançar o anzol ao mar, e ilumina-se de felicidade quando o peixe morde o… isco. Sim, achei que “minhoca” era muito óbvio e roçava o ordinarão. Bom, então o nosso miúdo exemplificativo, na sua senda por uma parceira, passa por vários dissabores e compreende, a páginas tantas, que há ali algum problema que não consegue identificar. Da sua observação ele conclui que as mulheres facilmente mostram interesse por ele. Sentem-se bem perto dele, falam, desabafam e divertem-se, até. É como se algo nele as atraísse, e elas corressem na direcção dele, aproximando-se depressa. Como um carro atrás de nós, na autoestrada (vêem? É a metáfora. Segurem-se). Quando estão bastante próximas dele, contudo, detêm-se. Param, a uma certa distância, e ficam ali. Ficam a olhar. Olham incessantemente sem se aproximar mais um passo que seja. E isto geralmente dura até elas se fartarem de olhar para o boneco, altura em que desaparecem e vão à vida delas.

Em jeito de conclusão peço-vos, então, que se, por acaso, descobrirem a explicação para o porquê desta “distância de segurança”, avisem os vossos “totós” mais próximos e tentem fazer uma minhoca feliz.

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